2 de abril de 2006

cordel da TV Digital

O cordel da TV Digital
15/03/2006 Luciana Rabelo

Brasileiros atenção

pro que está acontecendo!

O País está vivendo

momento de decisão.

A nossa televisão

tá prestes a ser mudada,

e pode ser melhorada

se o povo se unir

e agindo exigir

TV democratizada.


Eu vou tentar explicar!

O Brasil tem que escolher

qual modelo de TV

deverá ele implantar

para digitalizar

a forma de transmissão

em nossa televisão.

Se escolhermos direito

será o passo perfeito

pra democratização.


É importante saber

que é pública a concessão

de rádio e televisão.

E se é assim por que

só tá na mão de um poder

e não nos braços do povo?

Mas pra nós sobra o estorvo

de não poder se escutar,

de não poder se mostrar

porque eles cortam o novo.


Com a TV digital,

em um mesmo equipamento,

haverá recebimento

de um tal multicanal,

pois em um mesmo sinal

caberá quatro canais

que abertos e plurais

serão meios de expressão,

meios de transformação,

das misérias sociais.


Quem internet não tem,

nem sabe o que é e-mail,

desfrutará desse meio

e outras coisas também,

pois a tal TV contém

tudo isso reunido,

bastando ser escolhido

o modelo ideal

pra inclusão social

do nosso povo oprimido.


É a chance da maioria

poder usar sua voz.

É o momento de nós

na mídia fazer poesia,

resgatar cidadania,

ecoar nossos anseios

gritar nossos aperreios

pro mundo todo escutar

e podermos transmutar

esses gritos em gorjeios.


Produção independente

ganhará devido espaço

e dará o grande passo

de enfim plantar semente

de uma programação decente,

bem mais regionalizada,

bem mais diversificada,

difusora de culturas,

livre de qualquer censura

a nada mais amarrada.


Mas essa realidade

tão sonhada por a gente

depende do presidente

reagir com mais verdade.

E nós, a sociedade,

entrar nessa discussão.

Que é nossa a televisão!

O ar, as ondas, a terra!

E só o que nos emperra

é tanta concentração.


O Governo Federal,

muito mal representado,

tem Ministro de Estado

teu empresário boçal.

E a TV digital

importante instrumento

para o desenvolvimento

corre o risco de ficar

como sempre teve e tá

nas mãos de um poder nojento.


O tal ministro citado,

que se chama Hélio Costa,

de fato somente aposta

no monopólio privado,

neste empresariado

que recebeu concessão

de rádio e televisão

e quer se perpetuar

o único a mandar

na nossa programação.


Três modelos são usados

em países estrangeiros.

Falta agora o brasileiro

que já vem sendo estudado,

mas não é incentivado

pelo ministro Hélio Costa

que com uma conversa bosta

"só que saber da imagem"

e do que traz de vantagem

o comércio de resposta.


Hélio já quer escolher

o modelo do Japão.

E nós, a população,

queremos compreender

por que não desenvolver

um modelo brasileiro

e trocar com o estrangeiro

a nossa experiência?

É preciso paciência

não pode ser tão ligeiro.


Nossa tecnologia

poderá desenvolver

um modelo de TV

que nos dê soberania,

impulsione a economia

pra benefício geral

e a política industrial

tomará um novo impulso,

mas é preciso ter pulso

pro sonho virar real


E a nossa rádio querida

um meio tão genial?

Também vai ser digital,

mas já tá sendo ferida

por decisão desmedida

que em teste colocou

um modelo de cocô

lá dos Estados Unidos

que precisa ser banido

extirpado com ardor.


O tal modelo testado

pelas grandes emissoras

parece uma vassoura

varrendo o nosso prado

querendo-nos afastados

do espectro radiofônico,

do nosso poder biônico,

de transportar nosso tom

aos ares e a Poseidon,

num ato lírico sônico.


Nossa comunicação

tá é toda atrapalhada

as leis já não valem nada,

é grande a concentração.

Os meios de produção,

são os mesmos que transmitem,

só o que os donos permitem

já que muito é censurado

e a gente fica obrigado

A receber o que emitem


Eles querem capital,

nada mais lhes interessa,

e vêm com uma conversa

de que querem o bem geral.

Mas só o comercial

de fato os movimenta,

e a gente não mais agüenta

tão grande desigualdade,

tão louca sociedade,

que tanto nos atormenta.


A discussão é política,

técnica e social

e nos é fundamental

uma visão mais holística,

pois não é só estatística

é cultura, educação

e nossa legislação

tem que ser remodelada

pra ficar mais adequada

à nova situação.


É hora de acordar

pois a comunicação

é troca, é interação.

Não dá mais para ficar

da forma como está

nas mãos de uma minoria

que defende a hegemonia

de cruéis monstros Globais

que se mantêm voraz

roubando nossa fatia.


Gente, comunicação

é um direito humano!

Não é somente um cano

de passar informação.

É forma de comunhão,

forma de sobrevivência,

de expressar nossa essência,

de viver com liberdade,

com mais naturalidade

e também mais consciência.



Luciana Rabelo Jornalista e poeta, Recife.
fonte: http://www.culturaemercado.com.br/setor.php?setor=3&pid=394

mais info:
http://www.freelists.org/archives/radiolivre/02-2006/msg00105.html

Existe também uma versão em video.

O ministro Gilberto Gil leu este cordel e acabou entrando em confronto com o ministro das comunicações.
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