24 de agosto de 2006

Para a Reunião Pedagógica

Fiz um pequeno rascunho para apresentar no "momento inclusão", junto com outros educadores, na Reunião Pedagógica prevista em calendário:

INCLUSÃO

Vivemos numa sociedade limitada e limitante, ainda herdeira de mentalidades atrasadas herdadas da época da escravidão. Não há espaço para o debate democrático, porque não há espaço para a sinceridade - Achamos que "não concordar" é sinônimo de inimizade. Nossas relações humanas são ainda infantis, autoritárias, fragmentadas e dependentes.

E, no entanto, defendemos a autonomia, o posicionamento crítico e o trabalho em equipe.

Pois bem - Sem isto não é possível a inclusão. E a inclusão é uma necessidade. Sem inclusão, não existe escola moderna e dedicada ao aprendizado de todos para o bem do coletivo.

Não podemos considerar inclusão apenas como o recebimento passivo de alunos deficientes. Na verdade, a inclusão começou há muito tempo, com a abertuda da escola para a maioria da população carente. Por inclusão pensamos a convivência de todas as diferenças: sejam de gênero, opção sexual, origem etnica, cor de pele, religião ou necessidades educacionais especiais. Pensando desta forma abrangente, todas as escolas possuem vários estudantes de inclusão;

Mas também os estudantes que poderiam ser rotulados como "normais" precisam estar incluídos. A escola pública deve ser um espaço para todos aprenderem e conviverem de uma maneira humana. Prepararem-se para entrarem no mercado de trabalho e serem pessoas éticas, ativas, capazes de melhorarem a sociedade em que vivem.

Também nós, educadores, precisamos estar incluídos. Precisamos ser tratados com respeito e ajudarmo-nos uns aos outros, em prol de um bem maior, que é a formação de todos os estudantes da escola, sem excessão.

Muitos educadores sentem uma grande angústia frente à inclusão. Isto é natural e compreensível. Somos humanos. Passíveis de falha. Os alunos chamados de inclusão (sejam os deficientes, sem os desajustados sociais ou disciplinares) revelam as falhas do educador.



SUGESTÃO PARA INDIVÍDUO-EDUCADOR:
A fim de diminuir a angústia e maximizar resultados precisamos fazer relatórios. Registros de todo o processo - entrada, mudança, respostas a atividades. Procurar destacar o que estudante faz, avaliação positiva.

SUGESTÃO PARA O COLETIVO ESCOLA:
Realizar planos de ação com estabelecimento de cronogramas e reuniões para avaliações e acompanhamentos. Tornar real o Projeto Político Pedagógico, construído pelo coletivo educadores, funcionários, direção, estudantes e familiares. Apenas o trabalho coletivo e auto-gerido tem garantia de resultados, pois garante o empenho de todos os que participaram da construção e debate das propostas.

ROTEIRO DE REFLEXÕES NECESSÁRIAS PARA EDUCADORES DE UMA ESCOLA INCLUSIVA

QUESTÕES:
1 - Qual o meu sentimento ou experiência diante de uma aluno com necessidades especiais?
(não se restringir a deficiência. ser sincero nas respostas. não se sentir culpado por sentir o que está sentindo. Dissociar medo de culpa por sentimentos considerados negativos: pena, nojo, raiva, desgosto...
Eu tenho a vaidade de ser uma pessoa boa - cristão ou budista ou lógica... que só tem bons sentimentos. Desejar isto é ser humano. E também é humano todos os sentimentos julgados ruins por nossa sociedade ou pelas religiões. Precisamos entender que podemos ter tais emoções e assumi-las para, então, podermos nos posicionar de uma maneira crítica.

cito: "Professor não quer encarar aluno carente, porque o lembra de algo que ele quer superar - ascender socialmente é uma vontade dos professores que estão melhorando navida. Aluno discriminado economico-socialmente (por "n" motivos) o lembra de como isso é difícil." professora Suely, do curso "Das deficiências às diferenças: O Trabalho na Sala de Aula".


2- Por que, no meu ponto de vista, eu tenho tais sentimentos?
(estas duas questões podem ser retomadas em outros momentos durante o período letivo > Trabalhar a mudança destes sentimentos ao longo do período)

Dissociar o "desempenho negativo" do aluno à exclusiva competência do professor ou professora (auto-imagem negativa). Papel dos educadores profissionais é importante, mas limitado.
- Desempenho do estudante é resultado do esforço dos educadores, das condições da escola (que precisa ser preparada para recebe-lo, no mínimo, arquitetônicamente e com materiais pedagógicos adaptados), além disso: acompanhamento da família, as oportunidades da sociedade como um todo.

É preciso que a escola se conscientize que o estudante não pertence a um único educador - mas sim a toda a escola - e mais ainda = a toda a sociedade, e apenas trabalhando em equipe e com apoio de polícas públicas governamentais será possível dar resposta para os problemas do indivíduo estudante de uma maneira justa e eficiente. Se este apoio oficial não existe, ele precisa ser buscado e exigido, pelo bem do indivíduo estudante e do coletivo sociedade.
É preciso que o educador também se concientize da limitação de sua prática. A escola é importante sim, mas não é tudo. Muito do que poderia ser feito para o bem do estudante, não é responsabilidade da escola.
Entretanto - A escola pode muito. Com pequenas medidas e mudanças de postura, os resultados podem ser surpreendentes - Contanto que não estejamos querendo demais. É preciso tomar cuidado tanto com o derrotismo ou inércia, quanto com o excesso de otimismo ou expectativas.
-
APRESENTAÇÃO: Intervenção pedagógica realizada com o estudante XXX da 8ª B.


"O mundo não é
O mundo está sendo" - dizia Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido

"A professora democrática, coerente, competente, que testemunha seu gosto de vida, sua esperança no mundo melhor, atesta sua capacidade de luta, seu respeito às diferenças, sabe cada vez mais o valor que tem para modificação da realidade, a maneira consistente com que vive sua presença no mundo, de que sua experiência na escola é apenas um momento, mas um momento importante que precisa ser autenticamente vivido." p. 127 em Pedagogia da Autonomia

- A questão central das deficiências ou necessidades especiais está justamente no preconceito. Disto não podemos esquecer. É nosso desafio preparar nossos estudantes para não serem preconceituosos e lutarem contra todo tipo de preconceito, caso contrário corremos o risco de manter ad infinitum a reprodução de um sistema social cruel e desigual que só pode trazer prejuízos para nosso coletivo sociedade.

SUGESTÕES DE FILMES:

O Oitavo Dia (1996) - tema: síndrome de down
Olhos Azuis (1996) - sobre racismo e a educadora Jane Elliot, que na década de 60 desenvolveu dinãmicas para explicitar a arbitrariedade do preconceito. cito: Jane Elliot escolheu a cor dos olhos como critério de exclusão por influência do mesmo método utilizado pelos nazi-fascistas na Alemanha da 2ª Guerra Mundial para discriminar os judeus. Como branca, ela não aceitava ser omissa frente à discriminação, sob o risco de corroborar com ela. Para a sociedade branca americana, se os negros protestam, eles só provam tudo o que de ruim já se pensava deles, segundo Jane. Ela ensinava o valor de não se submeter ao preconceito. "Se submeter é gostar de sofrer", dizia. (http://www2.uerj.br/~proafro/maria1.htm )

SUGESTÕES DE LIVROS:
-Pedagogia do Oprimido - autor: Paulo Freire.

-EDUCAÇÃO INCLUSIVA.- autora: Maria Elisa Caputo Ferreira- Rio de Janeiro: DP&A, 2003. v. 01. 160 p.

-Educação especial: do querer ao fazer
Autora: Maria Luisa Sprovieri Ribeiro (Org.) e Roseli Cecília Rocha de Carvalho Baumel (Org.)
ed. - São Paulo - Editora Avercamp - 2003 - 192 p.

LEGISLAÇÃO:
A lei nº 8.213 de 1991 estipula uma cota de 2% de empregados portadores de necessidades especiais quando a empresa tem até 100 funcionários. Quando este número é de 1000 empregados, a cota mínima para portadores sobe para 5%.

Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996

lei nº 3.708/2001, chamada Lei de Cotas, que faz parte do Projeto Igualdade Racial: desenvolvimento de uma política nacional para a eliminação da discriminação no emprego e na ocupação e promoção da igualdade racial no Brasil.
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