7 de abril de 2007

Soneto 138 de Shakespeare

Uma coisa leva a outra. Li uma matéria sobre a revista Omelete (feita pela equipe do site). Fiquei sabendo nesta matéria sobre o site de cultura pop www.sendetario.org . Lá li sobre a indicação que Dave Mc Kean fez para Neil Gaiman sobre alguns curta metragens, inclusive Tiger do brasileiro Guilherme Marcondes. Por curiosidade procurei os curtas feitos pelo próprio Dave McKean - há vários no youtube, inclusive este, feito a partir de um soneto de Shakespeare.



138

Quando jura ser feita de verdades,
Em minha amada creio, e sei que mente,
E passo assim por moço inexperiente,
Não versado em mundanas falsidades.
Mas crendo em vão que ela me crê mais jovem Pois sabe bem que o tempo meu já míngua, Simplesmente acredito em falsa língua:
E a patente verdade os dois removem.
Por que razão infiel não se diz ela?
Por que razão também escondo a idade?
Oh, lei do amor fingir sinceridade
E amante idoso os anos não revela.
Por isso eu minto, e ela em falso jura,
E sentimos lisonja na impostura.


CXXXVIII

When my love swears that she is made of truth,
I do believe her though I know she lies,
That she might think me some untutor'd youth,
Unlearned in the world's false subtleties.
Thus vainly thinking that she thinks me young,
Although she knows my days are past the best,
Simply I credit her false-speaking tongue:
On both sides thus is simple truth supprest:
But wherefore says she not she is unjust?
And wherefore say not I that I am old?
O! love's best habit is in seeming trust,
And age in love, loves not to have years told:
Therefore I lie with her, and she with me,
And in our faults by lies we flatter'd be.

fonte: http://www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet169.htm

William Shakespeare
In 42 Sonetos
Tradução e apresentação de Ivo Barroso
Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2006

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